20/11/09 -

Dia 21 de novembro é o Dia Nacional da Homeopatia. Comemora-se neste dia , pois foi a data de chegada de Benoit Mure ao Brasil.

QUANDO A HOMEOPATIA COMEÇOU A SER ENSINADA PARA NÃO MÉDICOS NO BRASIL?

Benoît Jules Mure (1809-1858)

No dia 21 de novembro de 1840 o médico homeopata francês Benoit Jules Mure, fiel seguidor de Hahnemann, desembarcava na região litorânea que divide os estados do Paraná e Santa Catarina conhecida por Barra do Sahy. O Dr. Mure chegou ao Brasil com o objetivo de introduzir a homeopatia, mas antes tentou implantar um projeto de colonização de orientação socialista francesa, o Falastério do Saí. Em novembro de 1842 fundou a Escola Suplementar de Medicina e Instituto Homeopático
de Saí. Como não deu certo, pois não encontrou respaldo, mudou-se para o Rio de Janeiro onde fundou o Instituto Homeopático do Brasil, em 10 de dezembro de 1843, com a finalidade de difundir a Homeopatia para o povo e de propagá-la em favor das classes pobres.

Segundo seus estatutos apresentados naquela ocasião (Apud GALHARDO, 1928, p.305-307), o Instituto tinha por fim "Propagar a homeopatia por meio de ensino, publicações, experiências e prática desta ciência; e pela preparação dos remédios homeopáticos, os mais puros e homogêneos
que seja possível obter." (art.1º).

A entidade era constituída por “médicos, cirurgiões e outras pessoas que se mostrassem interessadas em contribuir com seus serviços, meios pecuniários e valimento, na conformidade dos regulamentos e por espontaneidade." (art.2º).

Os estatutos estabeleciam ainda que a sociedade se dividia em duas seções: “Central e filiais”. (art.3º). As exigências para a constituição de uma filial eram as de “se localizar fora da Corte, ter
de 20 a 50 sócios, que também escolhiam uma diretoria de três médicos ou cirurgiões ou pessoas hábeis a exercer a homeopatia, além de sustentar pelo menos um consultório gratuito.”

O seu primeiro secretário, João Vicente Martins, dirigiu-se à Câmara dos Deputados em fevereiro de 1850, oferecendo medicamentos homeopáticos para tratamento da epidemia da cólera e propondo que
fossem criados hospitais onde estes pudessem ser ministrados, deixando a cargo do doente a escolha pelo tratamento alopático ou homeopático. No mês seguinte, não tendo obtido resposta, encaminhou novo oferecimento, sendo então ameaçado de deportação por sua insistência e crítica ao tratamento utilizado pela medicina alopática.

Em 1847, surgiu uma dissidência entre os homeopatas que admitiam certos princípios e práticas da alopatia, e que por isso julgavam primordiais os diplomas de médico ou de farmacêutico conferidos pelas instituições de ensino oficiais alopatas, para o exercício da homeopatia e farmácia homeopáticas.

Denominados "evolucionistas", opunham-se aos chamados "puristas", reunidos em torno de Benoit Jules Mure e do Instituto, que defendiam a liberdade de profissão, entendendo que a homeopatia podia ser praticada por quem desejasse, após receber noções na Escola Homeopática do Brasil por meio de livros, para os que residissem fora da capital do Império. Estes consideravam que a alopatia, diversa da homeopatia, não podia habilitar ninguém a exercer a doutrina de Hahnemann. Os seguidores da homeopatia estudavam o Organon e Doenças Crônicas, enfatizando o cuidado com o doente e não com a doença, assim como davam ênfase a importância da tratamento dos miasmas, a origem das desarmonias.

Os "evolucionistas", separaram-se do Instituto Homeopático do Brasil e de sua Escola, e fundaram a Academia Médico-Homeopática do Brasil. Criou-se daí por diante uma polêmica constante pela imprensa entre os membros do Instituto, partidários de Mure, e os da Academia, ligados a Duque-Estrada.

A partir de abril de 1848, com a partida de Benoit Jules Mure para a Europa, foram fundadas outras filiais da Escola Homeopática do Brasil, como em São Luís (Maranhão) em 1849, pelo professor Carlos Chidloé e o homeopata baiano Sabino Olegário Ludgero Pinho, que continuaram a obra de Mure, de ensinar a homeopatia para qualquer pessoa interessada.

Após sair do Brasil, Mure casou-se com Sophie Lemaire, uma homeopata experiente e reconhecida e continuou a seguir seu ideal de fundar uma sociedade mais justa. Decidiu, então, ir para o Cairo e, ao mesmo tempo, descobrir a origem do Nilo, ainda desconhecida naquela época. Foram para o Sudão e depois para Gênova, onde abriram um ambulatório e também ensinavam a prática da homeopatia. Foi lá que os surpreendeu a epidemia de cólera de 1854. Dedicaram noites e dias ao atendimento dos
doentes.

Seu sucesso foi tal que chegavam doentes de localidades vizinhas para serem atendidos. Entretanto, o governo não só não reconheceu seus esforços como processou seus alunos por exercício ilegal da medicina. Mure, então, fechou o ambulatório, mas a multidão, furiosa, dirigiu-se até a prefeitura aos gritos de “Homeopatia ou morte!”. Foi necessário convocar o exército de Turim para conter a revolta. Mure e Sophie voltaram para o Egito, onde Mure passou os últimos dois anos de sua vida dedicado ao ensino da homeopatia para leigos. Depois de sua morte, em 1858, Sophie permaneceu mais dois anos no Cairo, atendendo doentes. Retornou para a França em 1860. Sabe-se que, 15 anos mais tarde, residia na ilha de Jersey, dedicada a cumprir a última vontade de Mure: tornar suas obras conhecidas do povo. Foi graças aos esforços de Sophie que as obras de Mure sobreviveram.

Somente em 1912 foi criada a Faculdade de Medicina Homeopática do Rio de Janeiro e o Instituto Hahnemaniano, sem data certa, sendo hoje a Escola de Medicina e Cirurgia do Instituto Hahnemanniano com orientação totalmente alopática, contrariando os princípios da homeopatia.

Desde o início, a homeopatia foi completamente livre no Brasil, pois Mure ensinou esta doutrina para todos aqueles que tinham interesse em aprendê-la, não necessitando de formação médica.

Quando Mure veio para o Brasil, Hahnemann ainda era vivo e, com certeza, sabia do que ele fazia por aqui, pois mantinha comunicação estreita com o seu mestre. Há 167 anos a homeopatia foi introduzida no Brasil para o povo e somente a 29 anos é tida como uma especialidade médica. Sigamos o exemplo de Mure, o exemplo de Melanie, esposa de Hahnemann, que foi a primeira homeopata não médica a exercer ativamente a homeopatia, recebendo até mesmo autorização oficial para tal. Continuemos a seguir o exemplo de Hahnemann, usando a arte de curar, que prioriza os sintomas de alta hierarquia, energéticos, na hora da escolha do remédio, bem como a identificação das doenças pelos miasmas. Não deturpemos os ensinamentos de Mure para o povo, que permaneceu ao lado dos “puristas”, que seguiam os ensinamentos da verdadeira homeopatia pura enfatizada por Hahnemann durante toda a sua vida.

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Mais informações

http://www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br/iah/P/verbetes/acadmehobr.htm

ACADEMIA MÉDICO-HOMEOPÁTICA DO BRASIL

HISTÓRICO

A Academia Médico-Homeopática do Brasil nasceu de uma dissidência dos homeopatas que admitia certos princípios e práticas da alopatia, e que por isso julgava primordiais os diplomas de médico ou de farmacêutico conferidos pelas instituições de ensino oficiais alopatas, para o exercício da medicina e farmácia homeopáticas. Denominados "evolucionistas", opunham-se aos chamados "puristas" reunidos em torno do homeopata francês Benoit Jules Mure, conhecido como Bento Mure. Os "puristas" defendiam a liberdade de profissão, entendendo que a homeopatia podia ser praticada por quem desejasse, após receber noções na Escola Homeopática do Brasil (1845), ou por meio de livros para os que residissem fora da capital do Império. Consideravam ainda que a alopatia, diversa da homeopatia, não podia habilitar ninguém a exercer a doutrina de Samuel Christian Friedrich Hahnemann (1755-1843), autor da obra e princípio da homeopatia Organon da arte de curar (Dresden, 1810).

Sendo assim, Domingos de Azevedo Coutinho Duque-Estrada, representante da corrente "evolucionista", juntou-se a Antonio Ildefonso Gomes, Vicente José Lisboa, Thomaz Cochrane e Maximiano Marques de Carvalho, entre outros, separaram-se do Instituto Homeopático do Brasil (1843) e de sua Escola, criados por Benoit Jules Mure e João Vicente Martins, e fundaram em 04 de outubro de 1847, na capital do Império, a Academia Médico-Homeopática do Brasil.

Em sua ata de fundação definia como objetivo da associação a propagação e o desenvolvimento das doutrinas de Hahnemann por diversos meios, incluindo um jornal homeopático e um hospital para enfermos pobres. Por meio desta iniciativa os pobres não mais necessitariam "mendigar inultimente os socorros da medicina, e levantando-se uma barreira aos abusos que têm aparecido no salutar benefício da medicina homeopática, ganhando com isto a ciência e a humanidade." (Apud. GALHARDO, 1928, p.425). Assinaram esta ata: Domingos de Azevedo Coutinho Duque-Estrada, Antonio Ildefonso Gomes, Bento José Martins, Maximiano Antonio de Lemos, Vicente José Lisboa, Joaquim Alves Pinto Guedes, Cesario Augusto Eugenio de Araújo, Francisco Amado Aguiar, Thomaz Cochrane, e Maximiano Marques de Carvalho. Duque-Estrada ocupou então o cargo de presidente e Bento José Martins o de secretário.

As polêmicas entre os homeopatas da Academia Médico-Homeopática do Brasil e os do Instituto Homeopático do Brasil eram freqüentes. Recusando-se a admitir Benoit Jules Mure na Academia, seus integrantes alegaram como motivo para essa atitude o fato de ele não ser médico homeopata nem alopata. Segundo Maximiano Marques, em artigo publicado no Jornal do Commercio de 24/01/1848, Mure teria sido um comerciante que se entusiasmou com a homeopatia, comprando um diploma em Montpellier e sendo apontado como um dos introdutores daquela doutrina na Sicília, em torno de 1835. Dois dias depois no mesmo jornal, José Henriques de Proença, professor de homeopatia diplomado pela Escola Homeopática do Brasil, respondendo à acusação em defesa de Mure reproduziu trechos de artigos de um periódico da Sicília, na Itália e de outras publicações francesas, nas quais eram feitos elogios ao mesmo como propagador da homeopatia e de seus tratamentos (GALHARDO, 1928).

ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO

Segundo o artigo 1º dos seus estatutos, a instituição era uma "congregação de médicos e algumas pessoas distintas e de todas as outras classes da sociedade, nacionais ou estrangeiras, que tinha por fim: "1º) o desenvolvimento e a propagação do sistema médico de Hahnemann em toda a sua pureza; 2º) o curativo gratuito dos pobres, tanto nos consultórios como nos próprios domicílios; 3º) o estabelecimento de um hospital de caridade para receber os enfermos indigentes, que serão tratados à custa da mesma associação e das doações que lhe fizeram as pessoas benfazejas" (Apud GALHARDO, 1928, p.425).

Entre os seus sócios, que eram divididos em efetivos, benfeitores, honorários e correspondentes, havia a exigência de que os efetivos fossem médicos e farmacêuticos homeopatas com diploma conferido ou legalizado por algumas das escolas oficiais do Império, ou seja, pela Faculdade de Medicina da Bahia ou pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, ou ainda pelas autoridades competentes que as precederam. Além disso, era obrigatória a apresentação de trabalho que aplicasse a doutrina homeopática, sendo submetido a julgamento pelo corpo da Academia.

O tratamento gratuito aos pobres e a doação de medicamentos eram realizadas nos próprios consultórios de cada médico designado para este fim, até que se estabelecesse um consultório e uma farmácia geral.

No dia 2 de dezembro de 1847, data do aniversário do imperador Pedro II, foi instalado, em sua homenagem, o Hospital Homeopático, pela Academia, situado na ladeira Santa Teresa, nº 11, sob a presidência de Domingos de Azevedo Coutinho Duque-Estrada. No entanto, em janeiro do ano seguinte o Hospital ainda não havia entrado em funcionamento devido à concessão de uma licença pela Câmara Municipal, que havia sido requerida desde novembro e ainda não fora expedida. Nesta época, foi criada uma congregação de caridade de senhoras com fins de auxiliar a Academia na manutenção do respectivo Hospital.

No dia 5 de junho de 1848, a Academia encaminhou ao Senado um requerimento solicitando a criação legal de uma escola homeopática, já que consideravam a Escola Homeopática do Brasil ilegal, pois a lei que assegurava o ensino da medicina não lhe permitia o exercício da clínica. Apresentaram então um projeto com a relação das matérias consideradas indispensáveis para a formação de médicos, devendo a nova escola ser constituída pelos cursos médico-homeopático (quatro anos) e farmacêutico (dois anos) (GALHARDO, 1928):

1º ano: química médica e botânica médica; anatomia descritiva;

2º ano: fisiologia; patogenesia e farmacologia; clínica médica homeopática;

3º ano: patologia médico-homeopática; patologia cirúrgica; repetição de clínica;

4º ano: arte de operar; higiene e história da medicina; arte de partos; repetição de clínica.

Ficavam encarregados do ensino dez lentes e cinco substitutos, sendo todos nomeados pelo Governo. A organização dos estatutos cabia à Congregação da Escola. Para o ingresso na instituição, os candidatos deviam submeter-se a exames públicos das matérias de francês, latim, filosofia, aritmética e geometria. No caso de conclusão do curso completo, o aluno obtinha o título de doutor em medicina, e aquele que cursasse apenas química botânica, patogenesia e farmacologia saía diplomado farmacêutico.

Para o corpo administrativo foram propostos os nomes de Domingos de Azevedo Coutinho Duque-Estrada para presidente, Maximiano Marques de Carvalho para primeiro secretário, e Maximiano Antonio de Lemos para segundo secretário.

Esta escola não chegou a existir. Antes da data do requerimento encaminhado ao Senado pela Academia, em março de 1848 se teve notícia sobre alguns de seus membros que passaram a integrar o corpo da Escola Homeopática do Brasil, como Maximiano Marques de Carvalho e Manoel Duarte Moreira, que lá ocupou o cargo de diretor naquele ano.

Por ocasião da epidemia da febre amarela, em fevereiro de 1850, a Academia tentou atuar no atendimento à população se dirigindo ao provedor da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, José Clemente Pereira, e propondo a criação de uma enfermaria homeopática nas suas dependências para tratamento dos doentes, o que lhe foi negado. Clemente Pereira justificou-se afirmando que os meios empregados pelo sistema médico da Santa Casa, contrários ao sistema médico de Hahnemann, vinham dando resultados.

Em março de 1851, alguns membros da Academia como Bento José Martins, vice-presidente, e Maximiano Marques de Carvalho, primeiro secretário, pediram demissão dos seus cargos. Isto ocorreu por discordarem do projeto de autoria dos doutores Domingos de Azevedo Coutinho Duque-Estrada, Antonio Candido Nascentes de Azambuja e Paula Menezes, aprovado pela instituição, que estabelecia a separação da prática médico-homeopática da parte farmacêutica, ficando proibido aos médicos ou cirurgiões membros da Academia preparar e fornecer medicamentos aos seus pacientes. Neste mesmo mês, no dia 28, esses dissidentes fundaram outra associação médica denominando-a Academia Homeopática do Rio de Janeiro. Foram eleitos Bento José Martins para presidente, Manoel Duarte Moreira para vice-presidente, Maximiano Marques de Carvalho para primeiro secretário e Joaquim José da Silva Pinto para 2º secretário. Esta nova instituição tinha por fim congregar todos os médicos homeopatas, propagar a homeopatia pura seguindo os preceitos de Hahnemann e promover a fundação de farmácias homeopáticas que inspirassem confiança aos profissionais. Seus membros realizaram alguns estudos sobre plantas medicinais, algumas delas remetidas de São Paulo pelo sócio correspondente Antonio de Oliveira.

Em 1855, durante a epidemia do cólera, a Academia Médico-Homeopática do Brasil também se pronunciou através de Domingos de Azevedo Coutinho Duque- Estrada e José Henrique de Medeiros em artigo publicado no Jornal do Commercio, propondo o tratamento homeopático e explicitando-o.

PUBLICAÇÕES OFICIAIS

Entre 1848 e 1849 circulou o Jornal da Academia Médico-Homeopata do Brasil, órgão da instituição redigido por Maximiano Marques de Carvalho.

FONTES

- FARIA, Fernando Antonio. Querelas brasileiras: homeopatia e política imperial. Rio de Janeiro: Notrya, 1994. (BN)
- GALHARDO, José Emygdio Rodrigues. História da homeopatia no Brasil. In: Livro do 1° Congresso Brasileiro de Homeopatia. Rio de Janeiro, 1928. p.271-1016. (BN)
- LOBO, Francisco Bruno. O ensino da medicina no Rio de Janeiro: homeopatia. Rio de Janeiro: s.n.,1968. v.3. (BCOC)
- SANTOS FILHO, Lycurgo de Castro. História Geral da Medicina Brasileira. São Paulo: Hucitec/Edusp, 1991. v.2. (BCCBB)
- PORTO, Ângela de Araújo. As artimanhas de esculápio: crença ou ciência no saber médico. Niterói, Rio de Janeiro, 1985. Dissertação ( Mestrado em História) - Instituto de Ciências Humanas e Filosofia, Universidade Federal Fluminense, 1985. (BCOC)

FICHA TÉCNICA

Pesquisa - Verônica Pimenta Velloso.
Redação - Verônica Pimenta Velloso; MªRachel Fróes da Fonseca. Revisão - Francisco José Chagas Madureira.
Consultoria - Ângela de Araújo Porto.

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